Decat: “Havendo espaço político, o ReData ainda pode avançar”

A não votação do PL 278/25 (PL do ReData) na última quarta-feira (25) representou um forte revés para o setor de data centers. Inicialmente vinculado à Medida Provisória 1318/25, o projeto acabou lançado em um limbo jurídico com a caducidade da MP, ocorrida no mesmo dia.

Diante desse cenário, a pergunta inevitável é: qual é o caminho?

De início, é importante destacar que ainda existe espaço para construção de uma solução. Também cabe esclarecer que a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não levar o projeto à votação não decorre de oposição ao mérito do ReData.

Erich Decat, diretor de Relações Institucionais da TechReg

Logo após encerrar a sessão, o senador foi questionado por jornalistas sobre o tema, oportunidade em que poderia ter se posicionado publicamente contra a proposta, o que não ocorreu. Limitou-se a afirmar tratar-se de uma questão complexa.

Para quem não acompanha o cotidiano de Brasília, esse detalhe pode parecer secundário. No entanto, no contexto político, é relevante: indica que a decisão teve natureza essencialmente política e esteve associada a impasses mais amplos entre a cúpula do Senado e o Executivo, alheios ao conteúdo do ReData.

É fato que a não deliberação produziu incerteza jurídica e afetou a percepção de investidores do setor, efeito indesejado para uma agenda estratégica.

Desde então, interlocutores do governo e do Congresso têm buscado alternativas que compatibilizem o ReData com restrições da legislação eleitoral, do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e da Lei Complementar nº 224/25, que trata da redução de benefícios tributários.

O ponto central, contudo, permanece político: um entendimento entre o Senado e o governo tende a abrir espaço para a construção de uma nova tese jurídica que viabilize os incentivos previstos no ReData.

Exemplo concreto

A experiência recente do Congresso ilustra como impasses aparentemente intransponíveis podem ser superados quando há convergência política.

O debate sobre a desoneração da folha de pagamentos é um exemplo emblemático.

Em 2024, o governo vetou a prorrogação do benefício aprovada pelo Congresso sob o argumento de ausência de compensação fiscal, estimada em cerca de R$ 20 bilhões.

O veto foi posteriormente derrubado pelo Parlamento, que se comprometeu a aprovar medidas compensatórias cuja suficiência era, à época, questionada.

Ainda assim, o benefício foi mantido. O tema chegou ao Supremo Tribunal Federal, mas desde então ninguém toca mais no assunto.

Não se trata de equiparar os dois casos, mas de registrar um padrão recorrente: quando há entendimento político, Brasília encontra caminhos institucionais para resolver impasses complexos.

Nesse contexto, embora o momento seja de incerteza, o ReData permanece como agenda viável, desde que se restabeleça o espaço político necessário para sua tramitação.

Quando deve haver uma definição?

O relator do Projeto de Lei do ReData, senador Eduardo Gomes, estará nestes próximos dias em Barcelona. Ele deve retornar ao Brasil somente no dia 08.

A nossa expectativa é que o tema avance no Senado na semana do dia 09.

Vamos acompanhando.

Por Erich Decat, diretor institucional da TechReg Consultoria.

Obs.: este artigo foi publicado no site Convergência Digital. Segue o Link: https://convergenciadigital.com.br/opiniao/redata-so-vai-avancar-se-houver-espaco-politico/

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